O Paradoxo do Navio de Teseu

O que torna você, você?

Seu corpo físico, sua personalidade, suas idéias…?

Estudos comprovam que a cada 7 anos, todas as células do corpo humano são substituídas. Agora imagine você há 7 anos. Nesse periodo, todas as suas células foram substituídas lentamente por outras novas. Hoje não existe mais nenhuma célula daquelas que formavam seu corpo, 7 anos atrás.

Você é o mesmo? Se não tem mais nada do você de 7 anos atrás, você não virou outro?

O PARADOXO DO NAVIO DE TESEU

Imagine que você tenha um barco inteiro de madeira. Aí você vai lá e troca uma das tábuas por outra, de alumínio. O barco ainda é o mesmo, só que agora, tem um pedaço de alumínio. Agora vamos supor que você tenha gostado da ideia e vá substituindo toda a madeira por alumínio, parte por parte. Troca o convés, troca os mastros, troca o timão, troca o leme, etc.

Ao final dessa reforma você terá um barco de alumínio e não mais um de madeira. Ou seja, você terá outro barco. Mas quando foi que o barco de madeira deixou de ser o de madeira e virou o de alumínio? Foi na última peça que você trocou? Ou foi na primeira? Ou talvez, logo depois que você passou da metade?

Esse é o Paradoxo do Navio de Teseu proposto pelo filósofo Plutarco. O Navio de Teseu foi aquele que levou os atenienses para o Minotauro e por isso virou uma espécie de monumento. E como objeto de reverenciamento, foi sempre mantido em bom estado, substituindo-se as madeiras que iam apodrecendo por novas.

Até que um dia um forasteiro pediu que fosse levado até o verdadeiro Navio de Teseu e surgiu a dúvida sobre qual seria o autêntico: o do porto ou os pedaços substituídos e guardados no armazém? 

O QUE É A CONSCIÊNCIA HUMANA?

Descartando o argumento religioso – segundo o qual a consciência está em sua alma (ou espírito) e independe do seu corpo físico – é preciso procurá-la em seu cérebro.

Os neurologistas e biólogos sabem que o filme que só você assiste – e que reúne a história da sua vida, preferências, emoções, enfim, a sua identidade – tem origem em uma série de atividades integradas no seu cérebro. A capacidade de representar o mundo na mente não passa de um traço evolutivo, na prática, outras espécies também tem consciência, o que muda é o grau.

Cultura

As pessoas quando estão juntas, produzem coisas divertidíssimas, problemas às vezes…mas produzem uma coisa chamada cultura.

Algumas pessoas entendem por cultura a arte, nível educacional, música, filmes…

Sem olhar em dicionário, cultura é um conjunto de normas, crenças, valores, comportamentos, hábitos, tradições, e experiências de um grupo social. É aquilo que faz com que o grupo se enxergue como grupo, como parte de algo maior. Isso é cultura, é diferente do nível educacional. Então independente do grau educacional de um grupo, todo grupo tem cultura.

Você entender que todo grupo social tem seu conjunto de crenças, valores e hábitos, é o primeiro passo para você entender como pode interagir quando muda de ambiente, quando está com pessoas que não vem da mesma referência que você.

Você pode dividir em formação: história, geografia, religião, etnia, profissão.

Você pode dividir em manifestação: Linguagem, protocolos sociais, culinária, vestiário, arte e estética.

A empresa que você trabalha tem uma cultura, que provavelmente não foi definida por alguém, mas é resultado do conjunto de ações, do convívio das pessoas com o passar do tempo. Entender a cultura da empresa, te ajuda a se adaptar mais rápido. Na empresa, ou onde quer que você chegue.

A Máquina que Mudou o Mundo

O Japão nem sempre foi a potência industrial que é hoje, após a segunda guerra eles precisaram se reinventar, e criaram uma maneira de fazer as coisas, que tornou-se um padrão da maioria das grandes empresas, no oriente e ocidente.

Em 1990 os americanos James Womack, Daniel Jones e Daniel Ross publicaram o livro “A Máquina que mudou o mundo”, este foi o maior e mais detalhado estudo já empreendido em qualquer indústria, no caso,  a automotiva, duas vezes no século XX a indústria automobilística modificou as idéias fundamentais sobre como produzir.

Assim como a produção em massa eliminou a artesanal, a revolucionária produção enxuta está tornando a produção em massa obsoleta.

E apesar de já existir há alguns anos, pela primeira vez a manufatura enxuta foi trazida ao grande público, o mundo conheceu o termo Lean Manufacturing, e os seus princípios.

O conceito de Just-in-Time foi desenvolvido na década de 1930 por Kiichiro Toyoda, filho de Sakichi e fundador do ramo automobilístico da Toyota. Ele determinou que as operações da empresa não teriam excesso de estoque e que a Toyota lutaria para trabalhar em parceria com seus fornecedores, a fim de nivelar a produção. Sob a liderança de Ohno, o Just-in-Time tornou-se um sistema singular de fluxos de materiais e informações para evitar o excesso de produção, ou seja, conseguir uma produção enxuta.

Após a Segunda guerra mundial o Japão sofria com as condições sociais, políticas e econômicas. Neste período houve uma enorme demanda por diversos produtos, como alimentos, materiais de construção e roupas. No entanto, as empresas que ainda sobreviviam apostavam na produção em massa, mas era impossível se pensar em uma indústria automobilística que produzisse em massa tendo em vista a falta de matéria-prima, de operários e de dinheiro para realizar investimentos.

Por conta disso, estabelecer um sistema fordista (produção em massa) era algo impossível naquele contexto. E para lidar com esta situação, eles precisaram elaborar um sistema de produção que não necessitava de altos estoques, que manteria o fluxo de caixa muito mais dinâmico e que conseguiria atender a diversas demandas, produzindo itens personalizados com eficiência.

Este novo sistema, o Toyota Production System, ou TPS, gerou resultados muito mais rápido do que seus criadores imaginaram,  em poucos anos, não só a Toyota, mas também outras empresas japonesas que aderiram ao modelo de produção enxuta já estavam exportando seus produtos competitivamente no mercado internacional.

O objetivo da Manufatura Enxuta é entregar ao cliente o maior valor possível, investindo o mínimo de recursos possíveis — ou seja, ela é focada na eficiência dos processos de produção, foi um dos segredos para o sucesso do Japão e por ele ter se tornado uma das maiores potências econômicas do planeta.

Pior do que treinar um funcionário e ver ele sair, é não treinar e ver ele ficar. Não dá para crescer 20% se as pessoas não crescerem 20%”  (Ricardo Jordão Magalhães)

A história da Nestlé

Você sabia que Nestlé significa “ninho” em francês? Mas o fundador do conglomerado não deu a ele esse nome por que viu um ninho de passarinho e achou bonito. Nestlé vem do nome do fundador, o senhor Henri Nestlé (1814-1890). Detalhe: a empresa é suíça, mas a família Nestlé é de origem alemã.

Tudo começou na Suiça em 1866, à época, as crianças estavam tendo sérios problemas de desnutrição e Nestlé, que era farmacêutico, resolveu desenvolver um alimento que contivesse todos os nutrientes necessários.

Em 1905, a empresa uniu-se à Anglo-Swiss Condensed Milk Co., que desde 1866 era um importante fabricante de leite condensado,  a Nestlé diversificou suas atividades a partir da década de 1970, passando também a atuar nos segmentos farmacêuticos (Alcon), cosmético (L’Oréal) e de alimentos para animais de estimação (Friskies Alpo e Ralston Purina). 

A Nestlé é a maior empresa de alimentos no mundo, com uma capitalização de mercado 200 bilhões de dólares

Na sua existência de quase 150 anos sofreu grandes campanhas de países e ONGs, é um dos alvos de muitas causas, uma das quais é a de que incentivou o desuso do leite materno pelas mães para vender mais leite em pó, uma invenção dela mesma, sua defesa é que o produto, por sua durabilidade e portabilidade, sem necessitar refrigeração e pasteurização, salvou milhões de vidas, inclusive nas guerras e desastres naturais.

Toyota: Como uma fábrica de máquina de tecelagem originou uma das maiores montadoras do mundo

A nossa atitude em relação a tudo na vida é balizada por dois sentimentos: O arrependimento e o merecimento. A história a seguir encaixa-se bem no segundo caso

Sakichi Toyoda era filho de um carpinteiro, e vivia em um povoado de camponeses onde as mulheres trabalhavam em teares (máquinas de tecelagem), vendo sua mãe operando um tear exaustivamente, decidiu trabalhar para criar uma máquina automática.

Tear manual

Mudou-se para Tóquio, e criou o primeiro tear que parava quando ocorria alguma falha, a máquina fez incrivel sucesso sendo um sucesso de vendas. O nome original da família era Toyoda mas, por questões numerológicas, a indústria foi batizada como Toyoda Automatic Loom. Em 1922, Sakichi viajou para os EUA para comercializar sua invenção no ocidente.

Chegando lá, ele encontrou um novo produto, complexo, que chama a sua atenção: o automóvel.

Kishiro Toyoda

De volta ao Japão, em 1929, Sakichi vende os direitos de sua patente à uma empresa britânica, e encarrega ao seu filho Kishiro, os investimentos na indústria automobilistica.

A ideia era de que nada fosse terceirizado, eles desenvolveriam toda a tecnologia dentro da empresa, o que levou quase dez anos para ser finalizado, finalmente em 1937, Kishiro, consegue produzir o primeiro protótipo de automovel, o Toyota AA, criando as bases da Toyota Motor Corporation , empresa hoje avaliada em mais de 49 bilhões de dólares.

O sistema Toyota de Produção revolucionou a indústria automobilística, com um sistema que aumentou a produtividade e a eficiência, evitando o desperdício, sem criar estoque, como tempo de espera, superprodução, gargalos de transporte e inventário desnecessário. Você já deve ter ouvido falar em Kaisen, Poka-Yoke ou Kanban…fazem parte dos 13 pilares do sistema Toyota de produção, tendo como seu principal criador, Taiichi Ohno

“O progresso não pode ser gerado quando estamos satisfeitos com as situações existentes” (Taiichi Ohno)